Pense no que faz uma ótima equipe de quiz. Não são cinco ou seis pessoas que sabem todas as mesmas coisas.
Talvez uma pessoa seja ótima em história, outra conheça todas as referências obscuras da cultura pop e outra ainda saiba a média de rebatidas de todos os jogadores da MLB (enquanto os demais nem sabem o que é um RBI). As diferentes idades, interesses e experiências deram à equipe mais chances de vencer.
Um estudo envolvendo mais de 5.000 pessoas constatou que o nível de colaboração entre os membros de um grupo desempenha um papel mais importante na inteligência coletiva do que as habilidades individuais por si só.
Uma equipe global funciona basicamente da mesma maneira.
Os colegas trazem consigo diferentes habilidades, experiências profissionais e formas de pensar. Mas reunir todo esse conhecimento e experiência não é suficiente. O que importa é como as pessoas combinam seus pontos fortes.
E isso exige mais do que apenas ser bom no que se faz. Desde tomar decisões difíceis até resolver divergências e conquistar o apoio das pessoas para uma ideia, algumas das habilidades mais valiosas são aquelas que ajudam toda a equipe a ter sucesso.
Tomando decisões com confiança
Às vezes, um projeto se depara com um problema inesperado, as prioridades mudam ou algo precisa de atenção antes que um gerente possa se pronunciar. E nem sempre há um plano de ação claro sobre o que fazer a seguir.
Bom senso significa saber quando tomar uma decisão por conta própria, quando buscar a opinião de outras pessoas e quando obter aprovação antes de seguir em frente.
Por exemplo, imagine que um projeto esteja atrasado em relação ao cronograma. Em vez de simplesmente relatar o atraso, pare um momento para pensar no que pode ser feito. Seria possível reduzir o escopo? Há alguma tarefa que possa esperar? Adiar o prazo afetaria o trabalho de outra equipe?
Talvez você não tenha autoridade para tomar a decisão final, mas ainda assim pode ajudar a levar as coisas adiante apresentando algumas soluções realistas.
Desenvolver confiança no seu próprio julgamento requer prática. Comece fazendo a si mesmo três perguntas:
- Quais informações eu tenho e o que ainda está faltando?
- Quem ou o que poderia ser afetado por essa decisão?
- Isso é algo que eu mesmo posso resolver ou preciso da ajuda de outra pessoa?
O objetivo não é tomar todas as decisões de forma independente. É tornar-se alguém com quem os colegas possam contar para analisar um problema a fundo, em vez de simplesmente repassá-lo adiante.
Gerenciamento de prioridades conflitantes
Uma coisa é administrar sua própria carga de trabalho. Outra coisa bem diferente é quando várias pessoas, de repente, precisam de algo de você, e todas parecem achar que o pedido delas deve ser atendido em primeiro lugar.
É terça-feira, e você está trabalhando em um projeto que deve ser entregue na sexta-feira. Então, alguém de outro departamento pede ajuda com algo que também precisa ser feito até o final da semana. Ambos são importantes, mas não há tempo suficiente para dar conta de tudo.
A tentação pode ser aceitar os dois e torcer para que você consiga dar um jeito nisso. Mas isso pode significar que um dos prazos não será cumprido, ou que você não conseguirá dedicar toda a sua atenção a nenhum dos projetos, de modo que nenhum deles atenda às expectativas. Isso deixa todo mundo decepcionado, inclusive você.
Uma abordagem melhor é determinar o que é realmente urgente e onde há margem para negociação. Será que parte do trabalho poderia esperar até a próxima semana? Adiar um prazo atrasaria o trabalho de outras pessoas? A empresa já prometeu algo a um cliente para uma determinada data?
Alguns prazos são fixos, como a impressão de folhetos a tempo para uma conferência. Em outros casos, o prazo é arbitrário e pode ser alterado sem comprometer o andamento do projeto.
Quando as prioridades entram em conflito, alguns hábitos podem ajudar:
- Pergunte o que está determinando o prazo. Entender por que algo precisa ser feito até uma determinada data pode ajudar você a determinar se há margem para negociação.
- Explique as vantagens e desvantagens. Em vez de dizer que está muito ocupado, explique o que seria necessário ajustar para atender a uma nova solicitação.
- Envolva as pessoas certas. Se dois gerentes ou departamentos tiverem expectativas conflitantes, não presuma que cabe exclusivamente a você decidir qual trabalho é mais importante.
Ser bom em gerenciar prioridades não significa encontrar uma maneira de encaixar tudo no seu dia. Significa ajudar todos a entender o que é realista e tomar decisões ponderadas sobre o que vem em primeiro lugar.
Colaboração entre departamentos
É fácil ficar preso às prioridades da própria equipe sem perceber o quanto o seu trabalho afeta outros departamentos.
Imagine que uma equipe de produto lance um novo recurso útil. O recurso já está no ar, e todos consideram o projeto um sucesso.
Só há um problema: ninguém avisou o departamento de marketing.
Como resultado, a empresa perde a oportunidade de divulgar o novo recurso aos clientes e potenciais clientes, simplesmente porque as pessoas responsáveis pelo marketing não participaram do planejamento.
Uma boa colaboração entre departamentos significa pensar, desde o início, além das responsabilidades da sua própria equipe. Assim que um projeto for adicionado à fila, considere quais outros departamentos possam precisar ser envolvidos. Avisar os colegas com antecedência permite que eles contribuam com ideias, se preparem para o que está por vir e ajudem a garantir que o trabalho tenha o impacto que merece.
Ao planejar um projeto ou realizar uma mudança significativa, pergunte-se:
- Quem mais poderia se beneficiar ao saber disso? Uma atualização do produto pode dar ao departamento de marketing algo para promover, à equipe de vendas um novo argumento de venda e ao suporte ao cliente as informações de que os clientes precisam.
- Será que outra equipe precisa de tempo para se preparar? Compartilhar informações após um lançamento pode ser tarde demais para que os colegas planejem como dar suporte a ele.
- Será que estou presumindo que outra pessoa vai comunicar isso? Quando ninguém assume a responsabilidade de compartilhar uma atualização, informações importantes podem passar despercebidas.
Você não precisa entender em detalhes as responsabilidades de cada departamento. Mas desenvolver uma noção de como o seu trabalho se relaciona com o deles pode ajudar toda a empresa a tirar maior proveito do que realiza.
Lidando com divergências de maneira construtiva
Às vezes, os desentendimentos no ambiente de trabalho não se resumem a uma pessoa estar certa e a outra errada. Trata-se, na verdade, de opiniões, experiências ou ideias diferentes sobre a melhor maneira de alcançar um objetivo.
Imagine que sua equipe esteja planejando uma nova iniciativa. Um colega quer lançar um pequeno projeto-piloto para ver como os clientes reagem antes de investir mais recursos. Outro acredita que a empresa deveria se comprometer com um lançamento completo para causar um impacto maior.
Ambos apresentam argumentos válidos, mas discordam quanto à melhor abordagem.
Em vez de defender imediatamente uma posição, tente entender o que motiva cada recomendação. Será que o primeiro colega está preocupado com o desperdício de recursos em uma ideia ainda não comprovada? Será que o segundo acredita que um lançamento limitado não gerará interesse suficiente para produzir resultados significativos?
Uma vez esclarecidas essas questões, a equipe poderá ter uma discussão mais produtiva. Talvez haja uma maneira de testar a ideia com um público relevante sem comprometer todo o orçamento. Ou talvez as evidências disponíveis apoiem uma abordagem com mais força do que a outra.
O importante é avaliar o raciocínio por trás de cada proposta, em vez de encarar a discussão como algo em que uma pessoa precisa sair vencedora.
Lidar bem com divergências não significa necessariamente chegar sempre a um acordo ou agradar a todos. Às vezes, uma abordagem é realmente melhor, e alguém precisa tomar a decisão final.
Pesquisas sobre equipes diversificadas também destacaram a importância da segurança psicológica, ou seja, a sensação de conforto para se expressar, fazer perguntas e questionar ideias sem medo de consequências negativas.
O objetivo não é evitar divergências. É lidar com elas de forma respeitosa e tomar melhores decisões como equipe.
Influenciar sem autoridade
Você não precisa ser o chefe de alguém para influenciar o rumo de um projeto ou ajudar a moldar as decisões da empresa. Às vezes, basta reconhecer uma oportunidade que os outros não perceberam e apresentar argumentos convincentes a favor dela.
Imagine que você trabalha no atendimento ao cliente e percebe que os clientes ficam pedindo um recurso que seu produto não oferece. Você acha que isso poderia fazer uma grande diferença, mas não faz parte da equipe de produto e não tem nenhuma autoridade sobre o que é desenvolvido.
Você poderia simplesmente repassar o feedback e torcer para que alguém tome alguma atitude a respeito. Ou poderia adotar uma abordagem mais ativa.
Comece reunindo exemplos de solicitações dos clientes e procurando padrões:
- Com que frequência esse problema surge?
- Que problemas esse recurso resolveria?
- Os clientes estão encontrando soluções alternativas ou considerando produtos concorrentes?
Com essas informações, você pode abordar a equipe de produto com mais do que uma simples sugestão. Você estará apresentando evidências de uma oportunidade em potencial.
E, em vez de insistir que o recurso deva ser desenvolvido, você pode convidar os colegas a analisar se isso é viável, como se encaixa nas prioridades atuais e qual impacto isso poderia ter.
O mesmo princípio se aplica à proposição de novas iniciativas, ao questionamento de uma abordagem ultrapassada ou à sugestão de uma mudança de estratégia.
A influência vem de oferecer às pessoas um motivo convincente para considerarem uma ideia, e não de ter autoridade para dizer a elas o que fazer.
Aprendendo a partir de diferentes perspectivas
Pense em um problema que você teve dificuldade em resolver, até que um colega sugeriu uma abordagem que nunca havia lhe ocorrido. Às vezes, basta uma nova perspectiva para perceber algo que estava passando despercebido.
Em uma equipe global, os colegas trazem para o trabalho diferentes formações profissionais, experiências, interesses e formas de pensar. Essas diferenças podem ser tão valiosas quanto seus conhecimentos técnicos.
Imagine uma equipe tentando descobrir por que os clientes não estão respondendo a uma nova campanha. O analista de dados percebe que as pessoas estão clicando no link, mas saindo da página quase imediatamente. Um designer acha que a página está muito cheia, enquanto um redator suspeita que a mensagem não corresponde ao que a campanha prometeu.
Cada pessoa enxerga um aspecto diferente do problema. E, ao combinar suas observações, a equipe tem muito mais chances de encontrar uma solução do que alguém trabalhando sozinho.
Uma pesquisa publicada na Harvard Business Review revelou que equipes com diferentes formas de pensar e resolver problemas podem chegar a soluções mais rapidamente.
Mas, para se beneficiar de diferentes perspectivas, não basta simplesmente ter um grupo diversificado de colegas. Significa também reconhecer que a sua maneira preferida de abordar um problema não é necessariamente a melhor.
Preste atenção em como as outras pessoas lidam com os desafios. Pergunte aos colegas o que eles estão percebendo e que talvez tenha passado despercebido por você. E quando alguém abordar uma tarefa de maneira diferente, resista à tentação de descartar o método dessa pessoa simplesmente porque não é assim que você faria.
Com o tempo, você desenvolverá uma gama mais ampla de maneiras de lidar com os problemas, mesmo quando esses colegas não estiverem por perto para ajudar.
As equipes mais fortes não são formadas por pessoas que pensam todas da mesma maneira. Elas são formadas por pessoas que sabem como unir seus diferentes pontos fortes para trabalhar em conjunto.




